Peixes: Aprenda a comprá-los

Com o inverno se aproximando e frentes frias acabando com os mergulhos de pescadores submarinos e saídas de pescadores amadores, ou com o resultado nada agradável de  pescarias sem peixes, adjunto a vontade de comer um peixe fresco, resta apenas uma alternativa, comprá-lo.

Alguns cuidados devem ser tomados para que se compre peixes realmente frescos, aprenda a utilizá-los:

Escolhendo um Peixe Fresco

A menos que o peixe ainda esteja realmente vivo, ao comprá-lo é importante observar alguns detalhes que indicam seu estado de conservação. De uma forma geral, o aspecto externo de um peixe fresco deve ser muito semelhante ao do peixe vivo. Através da simples utilização de seus sentidos, em três etapas, é possível identificar se o peixe está ou não fresco.

1a – Tato: o corpo do peixe deve estar firme e resistente com o ventre normal, nem murcho nem inchado. A rigidez cadavérica é um excelente indício de que o peixe morreu a pouco tempo (observe porém, se a rigidez não é devido a um congelamento anterior).

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2a – Visão: o olho, do peixe, deve estar brilhante com a pupila negra e a íris branca ou amarelada (olhos esbugalhados e turvos indicam deterioração). As brânquias devem estar vermelhas ou rosadas (a coloração pálida e o aspecto viscoso também indicam deterioração).

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3a – Olfato: o peixe deve apresentar um cheiro normal de maresia (o cheiro ácido ou azedo indica normalmente o início do processo de deterioração).

Como Evitar “Gato por Lebre”

Existem duas situações onde o consumidor pode ser facilmente enganado. Uma é quando pede um peixe em um restaurante, baseando-se no cardápio. A outra é quando o compra em uma peixaria baseando-se apenas na placa de identificação e preço. Até prova em contrário todos são honestos. No entanto, é sempre bom estar atento para evitar os “enganos”.

Em alguns restaurantes, por falta ou por puro oportunismo, o que no final dá na mesma, é comum servir o filé de cação no lugar do filé de badejo, que consta no cardápio. Apesar do filé de cação, quando bem preparado, ser também muito gostoso, trata-se de uma atitude extremamente desonesta. Apenas mais uma dentre as muitas formas de lesar o consumidor. Assim, nos restaurantes desconhecidos é aconselhável pedir um peixe em posta ou, de preferência, aqueles normalmente servidos inteiros, como o linguado, o pargo e a truta.

Na compra do peixe nas peixarias, por sua vez, o engano pode acontecer nas três formas em que se compra um peixe: em filé, em posta ou inteiro.

Nos três casos, quando não se tem certeza da honestidade do dono da peixaria, a atenção deve ser redobrada. No caso do filé, pode ocorrer o mesmo problema citado anteriormente. É quase impossível saber identificar de que peixe foi tirado um filé já exposto, a não ser que o mesmo possua a carne com uma coloração particular, como a do Atum que é vermelha. Não sendo assim, o aconselhável é comprar o peixe inteiro e pedir para filetá-lo.

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No caso da posta, o máximo que se consegue é diferenciar o peixe ósseo do peixe cartilaginoso examinando o aspecto da coluna vertebral. Se for dura e brilhante é com certeza uma posta de peixe ósseo. Se for mole e opaca é de um peixe cartilaginoso como o cação. O conselho é o mesmo; compre o peixe inteiro e mande cortar em postas.

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Comprar o peixe inteiro é então a melhor opção? É, se você souber reconhecer o peixe que quer comprar. 

Em algumas peixarias também existe a possibilidade de se levar um peixe inteiro diferente daquele que pedimos ou mesmo daquele que consta na plaqueta de identificação e preço. Pode parecer um absurdo, mas este é um fato bastante corriqueiro, inclusive nas peixarias dos grandes supermercados. Isto ocorre devido à conjunção de dois fatores: a desonestidade das peixarias, de forma intencional ou inocente, em alguns casos a troca já está tão “enrraizada” que algumas peixarias nem sabem que estão enganando, e a falta de conhecimento dos consumidores, incapazes de diferenciar corretamente a espécie do peixe que realmente desejam.

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Abaixo são mostrados alguns exemplos mais comuns, com dados para uma correta identificação.

Ex.1: Batata (Lopholatilus villarii) no lugar do Namorado (Pseudopercis numida). Algumas peixarias vendem o batata com o “sugestivo” nome de Namorado-batata.

Batata – Dorso castanho-escuro, clareando para os flancos. Cabeça e dorso com manchas arredondadas e amareladas. Faixa clara longitudinal abaixo da nadadeira dorsal. Caudal e dorsal escuras com manchas claras.

Namorado – Dorso mais escuro, um pouco enegrecido. Pintas brancas arredondadas em todo o corpo. Dorsal enegrecida com margem clara.

Ex.2: Goete (Cynoscion jamaicensis) no lugar da Pescada (Cynoscion acoupa).

Goete – Dorso prateado com estrias oblíqüas escuras. Nadadeira peitoral escurecida.

Pescada – Dorso prateado sem estrias. Peitoral clara com uma mancha escura arredondada em sua base. Margem da nadadeira caudal enegrecida.

Ex.3: Sororoca (Scomberomorus macula-tus) no lugar da Cavala (Scomberomorus cavalla).

Sororoca – Dorso azul-esverdeado metálico. Diversas manchas bronzeadas e arredondadas no dorso e flanco. Terço anterior da primeira nadadeira dorsal enegrecido.

Cavala – Coloração geral semelhante, porém sem manchas bronzeadas (a não ser nos espécimes mais jovens) e sem a dorsal enegrecida.

Ex.4: Ubarana (Elops saurus) no lugar do Robalo (Centropomus undecimalis).

Ubarana – Focinho curto e arredondado. Uma nadadeira dorsal situada no meio do corpo. Dorso cinza-azulado.

Robalo – Focinho longo, afilado e pontudo. Duas nadadeiras dorsais. Dorso cinza-esverdeado. Linha lateral escurecida e bem evidente.

Ex.5: Vermelho (várias espécies do gênero Lutjanus) no lugar da Cioba (Lutjanus analis). Devido ao prestígio de sua carne, muitas peixarias “adotam” o nome da Cioba para as outras espécies da mesma família.

Vermelho – As várias espécies apresentam uma coloração geral avermelhada (vai do vermelho-vivo, passando por tons esverdeados ou acinzentados, até o vermelho-rosado).

Cioba – Dorso esverdeado. Flancos e ventre rosados. Uma grande mancha negra arredondada situada acima da linha lateral e abaixo dos raios da nadadeira dorsal. Duas estrias azuladas irregulares no focinho.

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