Pirarucu

O Pirarucu (Arapaima gigas) á um peixe exclusivo da Bacia Amazônica e característico das águas calmas de suas várzeas. Vive em lagos e rios tributários, de águas claras, brancas e pretas ligeiramente alcalinas e com temperaturas que variam de 24° a 37°C, não sendo encontrado em zona de fortes correntezas e águas ricas em sedimentos.

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                                                                                    foto: Amika_san

A espécie apresenta características biológicas e ecológicas distintas: de grande porte, seus espécimes podem atingir até três metros de comprimento e 250 quilos, possui dois aparelhos respiratórios, as brânquias, para a respiração aquática e a bexiga natatória modificada, especializada para funcionar como pulmão, no exercício da respiração aérea, obrigatória; durante a seca os peixes formam casais, procuram ambientes calmos e preparam seus ninhos, reproduzindo durante a enchente; é papel do macho proteger a prole por cerca de seis meses. Os filhotes apresentam hábito gregário, e durante as primeiras semanas de vida, nadam sempre em tomo da cabeça do pai, que os mantém próximos à superficie, facilitando-lhes o exercício da respiração aérea.

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Apesar de ser uma espécie resistente, essas características ecológicas e biológicas tornam o pirarucu bastante vulnerável à ação dos pescadores. Os cuidados com os ninhos, após as desovas expõem os reprodutores à fácil captura com malhadeiras ou à fisga com haste e arpão. Durante o longo período de cuidados parentais, a necessidade fisiológica de emergir para captar ar ocorre em intervalos menores, ocasião em que os peixes são arpoados. O abate dos machos, após as desovas, expõe os filhotes à predação por peixes carnívoros, especialmente as piranhas e a longa fase de imaturidade sexual (3-5 anos) propicia a captura de espécies juvenis. chamados “bodecos”, de peso variando entre 30 e 40 quilos, diminuindo o sucesso reprodutivo.

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Alimento tradicional entre as populações ribeirinhas, seu alto valor reside em seu grande porte e no excelente sabor de sua came, notadamentc quando beneficiada seca e salgada, em mantas, substitutivo do bacalhau. Praticamente desprovida de espinhas, de sua carne se preparam diversos e saborosos pratos regionais, entre eles o famoso “pirarucu de casaca”. Suas escamas são usadas como lixa de unha ou na confecção de ornamentos, e sua língua, óssea e áspera, é largamente utilizada para ralar o guaraná em bastão. Os ovos das fêmeas também são consumidos e a pele vem sendo objeto de estudos que visam sua utilização na produção de sapatos, bolsas e vestimentas.

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Pirarucus em perigo:

Por lei, é proibido abater pirarucus com menos de 1,5 m de comprimento, além de haver defeso para a espécie entre dezembro e maio. Apesar disso, as populações de nosso maior peixe de escamas de água doce estão declinando. No Amazonas, sua pesca está totalmente proibida há 6 anos, permitindo-se somente exploração de cativeiro ou de áreas manejadas. A venda do pirarucu responde por mais de metade da renda familiar de muitos pescadores tradicionais, que comercializam o peixe na ilegalidade. Ou então, simplismente não sabem o que é plano de manejo, baseado no conhecimento das populações locais do peixe, e abates de exemplares em quantidades e tamanhos pré-definidos. Nos lagos manejados da região de Santarém, a produção chega a ser duas vezes maior do que a de lagos não manejados.

Créditos:  Constantino Pedro de Alcântara Neto ; Revista Pesca Esportiva

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