Atum

Peixes da família Scombridae, os tipos mais comuns de Atum (Thunnus spp) na costa brasileria são a Albacora ou Albacore (Thunnus albacares) e o Atum ou Tuna (Thunnus atlanticus). A coloração é em geral azul-escuro no dorso e prata na porção inferior dos flancos e no ventre. São considerados pelos estudiosos como os peixes que possuem o corpo mais hidrodinâmico dentre as formas existentes (o corpo é fusiforme e o pedúnculo caudal bastante estreito). São peixes que nadam em cardumes numerosos, muitas vezes mistos entre duas ou mais espécies de atum. Podem estar acompanhados de golfinhos e até baleias.

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Uma característica destes peixes é que, devido aos mecanismos fisiológicos (“rete mirabile”, um emaranhado de vasos sanguíneos), a temperatura do corpo pode chegar a ficar de 10 a 15ºC mais alta que a água ao seu redor. Peixes de tamanho variável de acordo com a espécie, atinge pesos entre 50 e mais de 600 quilos (Atum-azul).

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São carnívoros, com preferência por peixes e moluscos (lulas). Não costumam se aproximar da costa, a não ser que a área seja muito profunda, sendo mais típicos em mar aberto. Encontram-se ao longo dos mares de todo o mundo, mas é de acordo com a temperatura das águas que se dá a distribuição dos diferentes tipos, assim como acontece com as demais espécies oceânicas. Por exemplo, as Albacoras vivem em águas mais quentes, com temperatura por volta dos 25ºC a 27ºC. Por essa razão são encontradas mais próximas da linha do equador.

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albacora/atum amarelo Thunnus albacares

O atum-azul, o maior representante do grupo, prefere águas mais geladas, perto dos 18 a 20ºC. Existem também espécies que têm preferência por temperaturas específicas e intermediárias entre estas, mas no geral a maioria das espécies de atum prefere águas mais quentes. São importantes na pesca esportiva e comercial, principalmente para a indústria pesqueira.

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Algumas espécies são vulneráveis devido à intensa pesca comercial. A que corre maior risco é o Atum-azul (Thunnus thynnus).   

Podem ser encontrados em toda a costa brasileira, com ênfase na Região Nordeste e partes do Sul e Sudeste.

Por serem espécies de grande porte e muito ativas, os equipamentos são do tipo pesado. As linhas variam de 20 a 100 lb ou mais e os anzóis de nº 3/0 a 8/0.

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atunzinho/albacorinha Thunnus atlanticus.

Em sua pesca, as iscas naturais mais usadas são lulas e peixes pelágicos, entre eles sardinha, parati e peixe voador, muito apreciado. Também pegam muito bem em iscas artificiais, como plugs de meia água, metais jigs, lulas sintéticas e colheres.

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Dicas de pesca: Observe movimentação de aves e golfinhos se alimentando na superfície.  Muitas vezes os cardumes de Atuns ficam atacando os pequenos peixes por baixo.   

No caso do pesque-e-solte é aconselhável usar linha mais grossa para diminuir o tempo de briga.

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Recorde: – 176.35 kg/ 388 lb 12 oz para a albacora/atum amarelo Thunnus albacares.
– 20,63 kg/45 lb 8oz para o atunzinho/albacorinha Thunnus atlanticus.

Tarpão

Também chamado de Camurupim, Tarpon e Pirapema, o Tarpão (Megalops atlanticus) apresenta aspecto geral de uma grande sardinha. O corpo tem perfil superior retilíneo e apresenta-se fortemente comprimido. A cabeça é relativamente pequena e ocupa cerca de 1/5 do comprimento total. Os olhos são bem grandes, típicos dos peixes “visuais”. A boca é prognata e tem abertura superior, os dentes são pequenos e finos e a borda do opérculo é uma placa óssea. A nadadeira dorsal ocupa a região mediana do dorso, apresentando o último raio mais alongado. A poderosa nadadeira caudal é bem alta e tem formato de forquilha (furcado).

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Megalops atlanticus

As escamas são bem grandes e estão firmementes implantadas ao corpo. A coloração é prateada, sendo o dorso cinza azulado, variando de claro a quase preto, os flancos e o ventre são claros. Nas águas escuras, pode ficar dourado ou marrom. Pode alcançar os 2,5 metros de compimento total e cerca de 150 quilos de peso.

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 É considerado por muitos como o peixe mais esportivo do mundo.

Peixe pelágico. Vive nas águas quentes, tropicais e subtropicais do oceano Atlântico. É uma espécie costeira que também pode ser encontrada em alto mar, principalmente nos períodos de reprodução, quando migra em grandes cardumes. Freqüenta as áreas salobras dos manguezais, na parte dos canais, e também sobre áreas mais rasas cobertas nas marés cheias. Normalmente o cardume tem um peixe “líder”, que determina o rumo dos demais. Tem hábito alimentar carnívoro, com preferência por peixes, como paratis, tainhas, sardinhas, anchovas, entre outros.

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Como o Pirarucu, a bexiga natatória auxilia na respiração, suplementando a respiração branquial com bocadas de ar atmosférico (permitindo que suporte água salobra e doce estagnada e sem oxigênio), momento em que pode ser observado rapidamente na superfície, denunciando sua posição. 

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Ocorre desde o Paraná até o Amapá, com maior porte e mais comumente a Norte do litoral do Estado do Rio de janeiro.

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O equipamento empregado em sua pesca depende do tamanho dos exemplares que deseja capturar, variando do leve/médio ao pesado/muito pesado. No geral é importante o uso de bons equipamentos, pois é um peixe extremamente brigador e cheio de artimanhas. Recomenda-se o uso de empates de aço.

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Em sua pesca utiliza-se Iscas naturais, como sardinhas e paratis, e uma grande variedade de iscas artificiais, como plugs de meia água, jigs, shads e colheres.

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Dicas de Pesca: Logo após ser fisgado, salta várias vezes fora da água, requerendo muita atenção do pescador para não deixar a linha bambear. Não tenha pressa em trazer o peixe, que tem muito fôlego e só se entrega depois de brigar muito. Tenha uma boa quantidade de linha e muita disposição. Ao retirar o anzol, muito cuidado com a borda do opérculo que corta como uma navalha.

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As épocas de captura são entre novembro e março em mar aberto e no restante do ano em mangues.

Recorde: 130. Kg/ 286 lb 9 oz

Corvina

Peixe de escamas da família Sciaenidae, a Corvina (Micropogonias furnieri) apresenta o corpo alto, ligeiramente comprimido, com formato convexo na região dorsal e retilíneo no abdômen. A cabeça é grande e tem focinho pronunciado, ocupando de 1/4 a 1/3 do comprimento total do corpo. Pré-opérculo fortemente serrilhado, a boca voltada para baixo e possui alguns pares de pequenos barbilhões na mandíbula, usados para localizar alguns tipos de presa que se enterram no substrato. A coloração é prata claro com reflexos arroxeados. Pode apresentar listras longitudinais pretas ao longo do corpo, especialmente nos indivíduos jovens. A nadadeira caudal possui um formato truncado. Atinge comprimento total de até 80 centímetros e peso entre 5 e 6 quilos.

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Micropogonias furnieri

Espécie costeira, vive nos fundos arenosos ou barrentos, de preferência em profundidades de até 100m. Os jovens e alguns adultos freqüentam os manguezais e estuários, onde se alimentam principalmente de crustáceos, não desprezando os peixes pequenos, caranguejos, siris e mariscos. Também pode entrar na água doce. Os maiores exemplares raramente se aproximam da orla e só o fazem nas áreas que apresentam maior profundidade. Forma cardumes pequenos e é uma espécie comercial muito importante e apreciada pelos pescadores amadores.

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Uma característica interessante é que, após atingir cerca de 4 a 5 anos, a corvina morre. É como se tivesse um “prazo de validade”, como acontece com alguns tipos de salmão.

Ocorre nas Regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul (do Amapá ao Rio Grande do Sul). Principalmente nas regiões Sudeste e Sul.

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O equipamento mais indicado é o de varas de ação leve e média. Linhas de 10 a 20 libras, anzóis de nº 1/0 a 4/0. O chumbo oliva é muito empregado na pesca de canal e nos manguezais. Não é necessário o uso de empates (a não ser que o local esteja repleto de baiacus).

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Em sua captura é empregado preferêncialmente iscas naturais, especialmente camarão vivo ou morto, tatuí, pedaços de moluscos, caranguejo e minhoca, nos manguezais. Hoje em dia se consegue ferrar corvinas com iscas artificiais como metais jigs de 15 a 25 gramas e até 7 cm. 

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Dicas de Pesca: Costuma freqüentar certas regiões conhecidas dos pescadores. Como são peixes “gulosos”, colocar bastante isca no anzol pode atrair as corvinas com mais facilidade. Opte pelas iscas de camarão e sardinha, que devem ser oferecidas com “generosidade”.

Prefira a pesca embarcada ou de praia, sempre com o chumbo encostado no fundo. Na pesca de arremesso da praia, amarre bem a isca. As praias fundas, com águas escuras e um pouco frias são as ideais. A maior incidência de corvinas nas beiras de praia é durante o inverno.

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Recorde: 3.75 kg/ 8 lb 4 oz

Cavala

Peixe da família Scombridae, a Cavala ou Cavala-verdadeira (Scomberomorus cavalla) apresenta linha lateral marcada, servindo para distinguir as espécies do gênero. Peixe de escamas tão pequenas que dão a impreção de não existirem, possuem formato do corpo fusiforme e fortemente comprimido. O pedúnculo caudal é estreito, dotado de quilha carnosa na porçao longitudinal mediana. A nadadeira caudal é bastante furcada. A cabeça ocupa cerca de 1/5 do comprimento do corpo.

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A ampla boca terminal é dotada de poderosa dentição triangular, extremamente cortante, capaz de causar sérios acidentes ao pescador desatento. Possui pequenas nadadeiras em formato triangular nas partes superior e inferior da cauda, chamadas de pínulas, variando de sete a dez em cada perfil. A coloração geral é azulada no dorso e prateada nos flancos e no abdômen. Entre as espécies desse gênero, S. cavalla é a única que não possui pintas ou manchas. Podem ultrapassar o 1,5 metro de comprimento total e pesar cerca de 50 quilos.

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Scomberomorus cavalla

Espécie migradora. Forma grandes cardumes com indivíduos da mesma idade, ocorrendo na superfície e meia água. Os cardumes de cavala seguem os cardumes de peixes menores, como sardinhas e manjubas, que juntamente com as lulas, constituem seu principal alimento. Vive em alto mar, mas durante o verão, freqüenta os costões rochosos e regiões de mar aberto, não muito distantes da costa. É uma espécie muito esportiva e comercial.

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Ocorre nas Regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul (do Amapá a Santa Catarina). No litoral do Nordeste, é comum o ano todo, mas no Sudeste e Sul é mais freqüente no verão.

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O equipamento mais indicado é o de ação média a média/pesada. Linhas de 10 a 50 libras, anzóis de nº 2/0 a 6/0. A bóia é um material útil para manter a isca na meia água.

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As iscas naturais de peixes e lulas são as ideais. Os plugs de meia água, jigs e lambretas tracionadas no corrico também são muito eficientes.

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Dicas de pesca:  Apesar da dentição bem desenvolvida, podem engolir os peixes inteiros, sem cortá-los. Não é incomum engolirem iscas artificiais usadas na modalidade de corrico. Por esse motivo o uso de longos empates ou cabos de aço recapados com náilon, com mais de 1,5 metro de comprimento, pode fazer a diferença entre o sucesso ou o fracasso em sua captura.

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Recorde: 42.18 kg/ 93 lb 0 oz

Bijupirá

Peixe da Família Rachycentridae, o Bijupirá (Rachycentron canadum) também conhecido com Cobia, apresenta corpo fusiforme, sub-cilíndrico, depremido na região da cabeça. Boca prognata com abertura superior. Os primeiros oito raios duros da nadadeira dorsal são curtos e isolados. A parte ramosa da nadadeira dorsal, (raios moles) estende-se desde a porção mediana do corpo até o pedúnculo caudal, quase na inserção da nadadeira caudal, que tem formato lunado. As nadadeiras peitorais são implantadas lateralmente no corpo e apresentam pás alongadas.

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A coloração geral é marrom escura, interrompida pela presença de duas faixas longitudinais mais claras que vão da cabeça até a cauda na posição látero-superior do corpo, o ventre é amarelado. Pode atingir mais de 1,8 metro de comprimento total e 80 quilos de peso.

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Quando nada lembra muito o deslocamento de tubarões, com os quais é facilmente confundido. A família tem parentesco próximo ao das rêmoras e o Bijupirá (quando jovem) pode ser confundido também com esses peixes, ainda pelo fato de nadar perto de grandes animais como arraias jamanta.

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Espécie de superfície e meia água, vive em áreas costeiras e no alto mar, acompanhando objetos flutuantes à deriva. Pode ser encontrada ocasionalmente em águas rasas com fundo rochoso ou de recife, assim como em estuários e baías (quando mais jovem). Normalmente é encontrada sozinha ou aos pares, mas pode formar cardumes pequenos.

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Alimenta-se de peixes, crustáceos e lulas. A carne é relativamente saborosa e tem muitos apreciadores, mas não é muito comum nos mercados. É um peixe muito lutador e, portanto, muito apreciado pelos pescadores esportivos. Pode ser pescado na beira da praia, em mar aberto e próximo a ilhas e recifes.

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Ocorre nas Regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul (do Amapá ao Rio Grande do Sul). Mais comum no Nordeste.

O equipamento mais indicado é do tipo pesado, linhas de 20 a 80 libras e anzóis até n° 7/0.

As iscas naturais, sardinhas, xereletes, lulas, corcorocas e caranguejos, devem ser colocadas bem na frente do peixe. As iscas artificiais podem ser plugs de superfície e meia água.

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Dicas de pesca: Pode ser capturado na superfície, à meia água e no fundo. Gosta de detritos boiando. Aproxima-se mais da costa no verão. Em águas distantes, é pescado o ano inteiro.

Recorde: 61.5 kg/ 135 lb 9 oz

Carpa

Espécie exótica, nativa dos rios e lagos asiáticos, amplamente introduzida nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país, a Carpa (Cyprinus carpio) também chamada de carpa comum ou carpa chinesa é um peixe de escamas ciclóides bem grandes, podendo revestir todo seu corpo ou apenas alguns aglomerados em certos pontos, dependendo da variedade. Possui um corpo bastante arqueado no dorso e mais retilíneo na região ventral. Dois pares de pequenos barbilhões ornamentam ambas as maxilas. A boca é inferior e dotada de lábios carnosos, que se rasgam com facilidade. A dentição faringeana é pronunciada. A nadadeira caudal é emargiada. A coloração varia bastante, sendo mais comum apresentarem bronze ou castanho escuro no dorso, clareando em direção ao ventre. Pode atingir mais de 1,2 metro e 20 quilos de peso.

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Os machos são diferenciados das fêmeas por apresentarem uma grande nadadeira ventral. A carpa comum é caracterizada pela presença de uma espinha dorsal serrilhada. A boca é terminal nos indivíduos adultos, e subterminal em indivíduos jovens. São encontradas em rios e lagos fundos, barrentos e de pouca correnteza.

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Vivem em pequenos grupos, vagando na região do fundo dos corpos d’água. O hábito alimentar é iliófago e consiste em pequenos vermes, animais, plantas e matéria orgânica encontrados em fundo de areia ou lama.

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Raças selecionadas para fins de ornamentação podem alcançar preços altíssimos no mercado internacional. 

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Predam larvas e ovos de peixes nativos. Através de competição e predação direta, a presença de Cyprinus carpio resulta na diminuição da diversidade da fauna nativa.

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A carpa-comum tem a tendência de destruir a vegetação e aumentar a turbidez da água quando desloca plantas no substrato. Assim o habitat é deteriorado para as espécies nativas que necessitam de água limpa e vegetação para sobreviver. 

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É espécie hospedeira do parasita Lernaea cyprinacea, que vem causando enormes prejuízos à psicultura, pois o tratamento dos peixes é de difícil execução, sendo necessário o emprego de produtos altamente tóxicos e, por vezes, medidas mais drásticas como por exemplo a eliminação de todo o plantel de peixes. 

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O equipamento mais indicado é do tipo médio/pesado ou pesado. Linhas de 15 a 30 libras (0,35 a 0,50mm). Molinetes e carretilhas que comportem até 100 metros da linha escolhida. Anzóis relativamente pequenos e finos. Não é nescesário empates de aço.

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Dicas de pesca: Apesar do hábito alimentar, tem paladar refinado, exigindo um preparo cuidadoso das iscas. Devido ao fato de a boca ser muito mole, normalmente emprega-se a pesca com vários anzóis, num dispositivo conhecido como chuveirinho.

A melhor época para a captura desta espécie é durante a primavera e inverno.

Piapara

Peixe de escamas, a Piapara (Leporinus obtusidens) é um dos maiores tipos de Piau, perdendo em porte somente para o gigante Piauçu. O corpo tem formato fusiforme e seção arredondada. A boca é terminal e os dentes são do tipo incisivos, que servem para cortar e arrancar pequenos pedaçõs dos alimentos. O dorso apresenta coloração marrom-claro, às vezes acobreada. Os flancos são prateados e com tons levemente azulados, além de ter três manchas arredondadas enegrecidas. As nadadeiras peitorais, ventrais e anal são amareladas, enquanto a caudal, a dorsal e a adposa são transparentes. Pode atingir mais de 70 cm de comprimento total e pesar cerca de 6kg.

Esta espécie pertence à família Anostomidae, que possui uma grande diversidade de gêneros e espécies com representantes em todas as bacias hidrográficas brasileiras, conhecidos como aracus (bacia amazônica), piaus (bacia Araguaia-Tocantins, Paraná e São Francisco), piavuçu, piava etc. A diferença de L. elongatus da bacia do São Francisco, que também é chamada de Piapara, é a posição da boca, que é subinferior.

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Tem hábito alimentar onívoro e consome frutos, raízes, sementes, algas, caramujos e insetos. Realiza migração reprodutiva. 

A espécie Leporinus obtusidens ocorre na Bacia do Prata, já a Leporinus elongatus, na bacia do São Francisco, onde podem ser encontrados nos rios, em poços profundos, na boca de lagoas e corixos. Gosta de regiões marginais, sob a vegetação ciliar, em áreas em meio a troncos e galhadas. Reúnem-se em cardumes e habita a calha dos rios.

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Leporinus obtusidens

O equipamento a ser utilizado varia de acordo com o tipo de pescaria. Vara de bambu e telescópica, nas pescarias de barranco, e vara de ação média e carretilha para a pesca embarcada. As linhas mais utilizadas são de 12 a 14 libras, preparadas com chumbadinha leve e solta na linha, e anzol pequeno.

A espécie é capturada exclusivamente com iscas naturais como, por exemplo, milho verde ou azedo, bolinhas de massa, caramujo etc.

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Dicas de pesca: Para se ter sucesso na pesca da piapara, é necessário alguma experiência. O peixe costuma pegar a isca com suavidade e acomodá-la na boca antes de correr. Se o pescador ficar afobado vai perdê-lo. São peixes ariscos e o uso de uma boa ceva é quase obrigatório. Comumente são usadas cevas de milho ou soja azedas, além de uma pasta preparada à base de sangue e farelo de arroz. Na pesca embarcada, o uso de um canhão é muito útil para manter os peixes nas proximidades.

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A melhor época para se capturar essa espécie é no período mais seco do ano e nos meses de cheia e vazante.

Matrinxã

Peixe de escamas da família Characidae, a Matrinxã (Brycon amazonicus) é um peixe que lembra muito um lambari grande. O corpo é alongado, um pouco alto e comprimido. Sua coloração geral é prata nos flancos, com dorso mais escuro em marrom ou preto e nadadeira caudal geralmente com faixas negras e bordos brancos. Apresenta uma mancha arredondada escura na região umeral. Tem boca pequena ornada com dentes multicuspidados (com várias pontas), dispostos em várias fileiras na maxila superior, cortantes e trituradores. Produz muco abundante e viscoso, de aspecto leitoso. Atinge pouco mais de 70cm de comprimento total e cerca de 4,5kg de peso.

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Brycon amazonicus

Com ataques rápidos e muita disposição, a matrinxã não resiste a uma apetitosa isca. Com saltos acrobáticos após ser fisgado, encanta o pescador com seu brilho prateado.

Presente em rios com profusa vegetação, a matrinxã é uma espécie onívora. Costuma se alimentar no período de águas altas preferêncialmente de frutos, flores, sementes e artrópodes. Na época seca também consome pequenos peixes e outros animais, como pequenos caranguejos e caramujos. Nos rios de água clara, é comum ver cardumes de matrinxã, se alimentando debaixo das árvores, ao longo das margens.

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Também está associado a ambientes lóticos, mas sempre com íntima relação com a vegetação marginal com a qual mantém estreita dependência. Busca abrigo em meio a pedras, troncos e galhadas de arvores mortas. A matrinxã atua como dispersora de sementes de algumas espécies vegetais da mata ciliar, assumindo papel importante nos ambientes marginais das florestas (várzeas e igapós) da Amazônia. Realiza migrações reprodutivas e tróficas.

Ocorre nas Bacias amazônica e Araguaia-Tocantins, onde pode ser encontrada nas corredeiras e remansos dos rios.

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O equipamento mais indicado é do tipo médio, com linhas de 10 a 17 libras e anzóis de n° 1/0 a 5/0, encastoados com empates de 5 a 10cm.

Podem ser capturados com iscas naturais de frutos, peixinhos, pequenos filés, bolas de massa, minhoca, coração e fígado de boi em tirinhas.

Com iscas artificiais, os pequenos plugs com cerca de 8 a 12cm, spinners e colheres, principalmente, são a chave do sucesso para divertidas e agitadas pescarias.

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No fly prepare varas de 6 a 8, com linhas floating ou sinking tip atadas a líderes com cerca de 2 metros e iscas que imitam insetos (gafanhoto), frutinhos (coquinhos) e peixinhos, como os streamers.

Dicas de Pesca: Use iscas artificiais com cores claras como branco e amarelo.

A melhor época para a pesca dessa espécie é na estação cheia, com água subindo e descendo. Ocasionalmente na estação seca.

Recorde:
Brycon falcatusmatrinxã-miúda – 0,45kg/1lb
Brycon amazonicusmatrinxã-verdadeira – 3,36kg/7lb 6oz

Truta Arco-íris

Peixe de escamas da família Salmonídae, a Truta Arco-íris (Oncorhynchus mykiss) tem como característica, corpo em formato fusiforme, alongado e comprimido. A coloração do dorso varia do castanho para esverdeado, os flancos são acinzentados e o ventre esbranquiçado. Apresenta pintas escuras espalhadas pelo corpo e nadadeiras. A pele é coberta por centenas de pequenas escamas ciclóides firmemente aderidas. As fêmeas possuem cabeça menor que a dos machos, ocupando cerca de 1/5 do comprimento, contra cerca de 1/4 nos machos. As fêmeas também crescem bem mais. A boca é terminal e possui pequenos dentes cônicos em ambas as maxilas. A nadadeira caudal é truncada, levemente emarginada. Peixe exótico, na região de origem pode atingir mais de 1,2 metro e 25 quilos. No Brasil, cerca de 50cm e no máximo 3kg.

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Vive em pequenos rios de águas frias e oxigenadas, nas corredeiras, poços e remansos, atrás de pedras ou outros obstáculos. Também se adapta com facilidade aos ambientes de água parada de lagos e represas.

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Tem hábito alimentar carnívoro, consumindo grande variedade de organismos, como pequenos caranguejos, insetos e suas larvas, e pequenos peixes.

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A Truta Arco-íris é bastante esportiva e sua carne é de excelente qualidade. Apesar disso, para o bem da mesma, a maioria dos praticantes da pesca dessa espécie constumam adotar o pesque-e-solte.    

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Quando praticar o pesque-e-solte, evite pegar o peixe com a mão. Tente desata-lo do anzol sem retira-lo de dentro da água. Em último caso, utilize o puçá.

A espécie é nativa dos Estados Unidos, Canadá e Alaska, mas já foi introduzida em todos os continentes. No Brasil, ocorre principalmente nos rios serranos das regiões Sul e Sudeste.

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Os equipamentos indicados são do tipo leve e ultra-leve e da modalidade de fly, com linhas variando de 4 a 10 lb.

Pode ser capturado com iscas artificiais, como pequenos spinners e colheres, pequenos plugs de meia água. Na modalidade de fly, moscas e ninfas.

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Dicas de Pesca: Peixe com visão aguçada, pode se assustar com linhas grossas e coloridas. Use linhas transparentes ou linhas coloridas com um líder mais longo. Não faça barulho ou movimentos bruscos nas margens, pois os peixes se assustam com muita facilidade.

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A melhor época para a pesca dessa espécie é nos períodos mais frios e menos chuvosos do ano.

Traíra

Peixe de escamas da família Erythrynidae, a Traíra (Hoplias malabaricus) possui corpo cilíndrico e alongado, como um torpedo. Boca grande com dentes caninos bastante afiados, olhos grandes e nadadeiras arredondadas, exceto a dorsal. Possui a língua áspera, com dentículos. Apresenta cor discreta, sendo geralmente marrom, preta ou em tons de verde manchada de cinza, podendo alterá-la um pouco, em função de fatores ambientais. Chega a alcançar cerca de 60cm de comprimento total e 3kg.

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Hoplias malabaricus

Predador voraz e solitário, caça de emboscada. É ativo praticamente o dia todo, mas prefere horários crepusculares, sobretudo ao anoitecer. Quando uma possível presa se aproxima de sua área de alcance, que geralmente é inferior a um metro, a traíra ataca partindo de quase total imobilidade, dando um bote fulminante, absolutamente explosivo.

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Sua grande e forte boca, dotada de pontiagudíssimos dentes,
agarra e mantém fortemente apertada e presa sua vítima.
Engole inteiro, mas demorando muitos minutos neste processo, se sua vítima for grande. Ela normalmente ataca presas que lhe cabem longitudinalmente na boca, não importando seu comprimento. Por esta regra, uma traíra pode comer outra com a metade do seu tamanho, ou até mais.

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Ela regula sua bexiga natatória para pairar no meio da massa d’água, mas geralmente fica encostada ao fundo em meio à vegetação aquática, próxima a barrancos, ou quase encostadas sob galhos submersos.

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Prefere águas paradas (lênticas), dando-se muito bem em lagos, lagoas, brejos, matas inundadas, em córregos e igarapés, mas está presente nos rios com constância, situando-se predominantemente nos remansos deste.

Apesar do excesso de espinhas, em alguma regiões é bastante apreciado como alimento.

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O equipamento indicado é do tipo leve, linhas de 10 a 20 libras com anzóis de n° 1/0 a 6/0. Importante e indispensável uso de empates de aço.

Pode ser capturada com iscas naturais de peixes (em postas, filés ou inteiros),  miúdo de frango e minhoca. As iscas artificiais como spinnerbaits, spinners, poppers e sapos de borracha também são muito utilizadas.

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Dicas de pesca: Ao pescar com iscas naturais, use chumbo acima da isca e bata na água com a ponta da vara umas 3 ou 4 vezes com movimentos rápidos. O barulho atrai as traíras e torna a pesca mais produtiva.

Muito cuidado ao retirar o anzol da boca da traíra porque a mordida é forte e os dentes afiados.

Recorde: Hoplias malabaricus – Traíra – 1,41kg/3lb 2 oz.