Mergulho no frio

Passar frio durante a pescaria subaquática não apenas diminui o prazer, como é exaustivo e perigoso. Exaustivo porque calor é energia. Se houver gasto excessivo dessa energia para afugentar o frio do corpo, é possível que atividades relativamente simples, como nadar de volta ao barco ou para a saída abrigada na costeira, pareçam exigir esforço muito maior. E é perigoso porque o desconforto provocado aumenta a possibilidade de se fazer besteiras. Quem já tentou executar qualquer tarefa minimamente elaborada tremendo sem parar sabe do que estamos falando. Sem falar que o frio diminui significativamente o tempo de submersão.

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Felizmente, o problema tem solução e nem é tão complicada assim. Não há por que, em pleno século 21, se pescar passando frio!

– Entenda os Wetsuits:

É tudo uma questão de bolhas. Essa história de que é a camada de água presa entre o corpo e a roupa que mantém o corpo aquecido não passa de balela. A água tem praticamente efeito isolante algum. Ao contrário: cada troca dessa água provoca grande resfriamento.

O isolamento nada mais é do que um espaço o qual o calor custa a atravessar, desde onde está mais concentrado até o meio exterior, em que há menor concentração(temperatura mais baixa). Quanto maior esse espaço, mais lenta é a perda de calor.

O melhor isolante é o vacuo e o segundo melhor o gás – que está nas bolhas interiores tanto do isopor como do neoprene das roupas. Esse é o segredo do isolamento térmico dos wetsuits.

 – Esquente a cabeça:

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Muita gente detesta usar capuz, mas proteger a cabeça é essencial contra o frio. Embora represente apenas 10% da superfície do corpo, o “cabeção” é responsável por algo entre 20% e 40% da perda de calor.

O calor está ligado ao fluxo sangüíneo e, ao contrário dos vasos de braços, pernas e próximos da pele, que se contraem no frio exatamente para conservar o calor, o sangue da cabeça, por causa do cérebro, circula sempre com capacidade  total – e jogando calor fora.

A maior queixa contra os capuzes é que eles limitam os movimentos da cabeça e são muito “sufocantes”. Duas soluções:

-Enfie a tesoura no capuz ( de preferência leve-o para quem sabe fazer isso sem estraga-lo) e aumente a abertura da face.

-Use um modelo aberto, preso por uma tira, para proteger o crânio.

– Pernas:  

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Informação útil: as pernas têm massa corpórea igual ao torso e área de superfície ainda maior, e precisam de maior fluxo de sangue para fazer os músculos trabalharem. Portanto, usar um Short Jhon, mesmo com uma jaqueta sobre ele, não é exatamente efetivo para aquecer o mergulho, além de não permitir proteção fisica necessária contra freqüêntes esbarrões em pedras e organismos sésseis.

Em vez de empilhar camadas de neoprene sobre o peito e costas, procure cobrir o máximo do corpo. O resultado será melhor, e eventualmente com menos neoprene.

– Extremidades:

O uso de luvas e meias reduz muito a perda de calor, pois grande parte dela ocorre pelas extremidades do corpo(mãos, pés e cabeça).

– Tape os buracos:

  Não importa a espessura do wetsuit: Toda a água que entrar compromete o isolamento térmico.

O maior buraco da roupa é o do pescoço, seguido pelos pulsos e tornozelos – os dois últimos menos significativos porque não enfrentam o movimento contrário da água feito pelo pescador subaquático(a água entra mesmo é pelo colar).

O melhor é prender o capuz à abertura do pescoço, mas muita gente nem considera a idéia por se sentir preso. Bem, vários modelos são fabricados com neoprene liso do lado de dentro do pescoço e “colam” à pele, diminuindo o fluxo da água fria, mas – atenção!  A artimanha só funciona se a roupa vestir muito bem.

–  Molde perfeito:

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Se o wetsuit não estiver perfeitamente ajustado ao corpo, não adianta espernear: vai entrar água. A roupa certa não apenas deve estar moldada ao corpo: quanto mais grudar na pele, melhor. Tanto que a cada novo movimento do mergulhador, a roupa também se move. Senão, dobras e “bolsas de ar” nos cotovelos, axilas, virilhas e atrás do joelho acabam sugando água fria para dentro da roupa e depois expelindo-a, e roubando calor sempre que fazem isso.   

– Olho na numeração:

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Uma roupa de neoprene feita sob encomenda certamente vai ter melhor caimento e, conseqüentemente, melhor isolamento térmico. No caso das roupas prontas, a preferência deveria ser por fabricantes que trabalham com a maior númeração intermediária entre os tradicionais P, M e G. A chance de conseguir o ajuste perfeito para cada tipo de corpo aumenta diretamente à oferta da variedade de tamanhos.

– Quente fora d’água:

Tem muita gente por aí jogando calor fora antes mesmo da pescaria começar. Ficar aquecido durante o trajeto do barco, ou até chegar ao local adequado para entrar na água é um começo. Mas no intervalo de superfície que normalmente o desperdício de calor é maior. O mergulhador está molhado, e a evaporação dessa água suga calor do corpo, para não falar do vento, que acelera o processo. Sempre que subir no barco ou der uma pausa para descansar nas pedras, tire a roupa de mergulho, (ou pelo menos seque o lado de fora), enxugue-se e vista uma camiseta ou jaqueta para cortar o vento. O corpo agradecerá na imersão seguinte.

– Não tão fundo:

A tendência da temperatura da água é diminuir com o aumento da profundidade. Mas o maior problema de águas mais profundas é a pressão. A roupa de borracha perde isolamento a cada novo metro descido porque as bolhas que fazem o isolamento do wetsuit, com todas as bolhas sob pressão, se comprimem. A apenas 10 metros, a pressão sobre as bolhas é de 2 atm, reduzindo o isolamento da roupa pela metade. Aos 30 metros, com pressão de 4 atm, as bolhas estão achatadas, e o isolamento do wetsuit, praticamente nulo.

– Não ta na hora de uma nova?

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Se o pescador, apesar de estar fazendo tudo certo  e usar a espessura correta do wetsuit, continuar sentindo frio, a roupa de borracha pode sofrer de “problema de junta” – é melhor junta-la, jogar fora e comprar um wetsuit novo. É dificil determinar quanto tempo demora para um wetsuit estar no bagaço, são muitos os variantes que influênciam em sua vida útil, que em média, dura entre 3 a 5 anos. Depois disso, mesmo parecendo perfeito, ele perde sua função de isolante térmico. Hora de fazer compras…            

One Response to “Mergulho no frio”

  1. ótimo post… muito interessante… pratico pesca sub a +- 1 ano em agua doce e sempre procuro me informar a respeito de assuntos iteressantes como este… procurei aqui no forum algum assunto relativo as marcaras de mergulho.. pois no meu caso são as que mais incomodam com o embassamento… e ja percebi que nos dias em que a agua esta mais fria o problema aumenta, creio eu pela diferença de temperatura entre o corpo e a agua… e então gostaria de saber se existe algo a fazer para pelo menos diminuir o problema do embassamento das mascaras… e olha que minha mascara é de otima qualidade e marca… vlw e parabens pelo post

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